Se você acredita que já viu de tudo na TV, prepare-se para ser surpreendido!
“O olhar brasileiro precisa se acostumar a ver uma TV diferente e estamos fazendo o trabalho de formação do espectador para uma mudança cultural”.

Reinaldo Volpato – Gerente executivo de Programação TV Brasil
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novembro 09, 2008

A Hora e a Vez dos humoristas: a estética do tosco e a irreverência informativa

POr ALine SOuza

É bom dizer que na noite do dia 5 de novembro o Espaço Oi Futuro recebeu humoristas famosos e jornalistas para o debate “As novas formas de Humor na TV Brasileira”, dentro da programação do Festival Internacional de TV – FITV 2008. Representantes do programa CQC da BAND (Marcelo Tas e Diego Barredo), Raquel Afonso e Marcelo Adnet da MTV e Sabrina Sato e Diego Leal do programa Pânico na TV da RedeTv! lotaram o pequeno auditório com um público que ansiava por ver de perto os mais novos piadistas da televisão.

Raquel Afonso lembrou que a essência da MTV é um humor com transgressão que vai desde queima de aparelhos de TV em protesto ao horário eleitoral político, a crítica a vídeos-clipe ruins. “Hermes e Renato é um case de audiência e fizeram 10 anos de casa”, lembrou. Atualmente o canal MTV tem investido em novos conteúdos para web, o que deve se intensificar em 2009. “A nossa porta de entrada maior é o site, onde a gente recebe muito material e se der certo vai para a internet”, disse.

Um exemplo disso é o programa de Marcelo Adnet, que iniciou sua carreia estudando teatro e hoje faz o 15 minutos na emissora. “O meu programa levou vários meses para ser definido e fechado, e tudo para se chegar a isso: um nada, alguém em um quarto falando bobagens com um amigo doidão mascarado e nada mais”, explica e Raquel completa: “só deu muito certo porque é justamente o tempo da internet, o tempo que alguém leva para ver alguma coisa na internet. A maneira de consumir TV está mudando rapidamente”.



O jornalista Marcelo Tas, âncora do programa CQC, falou da importância de se debater a experimentação na TV e disse se sentir orgulhoso por ser o mais velho dos presentes. “Espero continuar experimentando e nunca subestimar o espectador, é preciso apostar na sua inteligência, o público quer cada vez mais ser surpreendido. A TV no Brasil ainda não entendeu isso e joga muito na defesa. Isso é burrice!” afirmou.

O CQC existe há 13 anos na Argentina e no Brasil sua produção emprega cerca de 50 pessoas que realiza 2h de programa. Na visão de Tas, este modelo de programa talvez tenha demorado a chegar aqui no Brasil porque faltava amadurecimento da população, “era preciso amadurecer para entender um programa jornalístico com humor que tivesse a ambição de entrevistar o presidente do país”, disse. O programa também tem produções no Chile, Portugal e outros países estão interessados.

Sabrina Sato vestiu-se de sua personagem burra e carregou no sotaque paulista de caipira para atender às demandas dos machões que vieram ao debate principalmente para vê-la em seu vestido curto e ultra decotado. E não decepcionou! Qualquer movimento seu na cadeira movimentava uma maré de flashes. Especulou-se a ida dela para o CQC em 2009.

novembro 06, 2008

Festival de Televisão debate Novas Mídias e Novos Conteúdos

Por Aline Souza

Dentro da programação do FITV 2008 o já conhecido espaço para debates intitulado Linguagem e Experimentação, trouxe à tona nesta terça-feira (4/11) o tema Novas Mídias e Novas Demandas de Conteúdo. Os convidados para o debate falaram sobre suas experiências no novo mercado da tecnologia aliado à comunicação.

Alberto Magno, físico e diretor da M1nd, empresa especializada em desenvolver soluções em transmissão de dados para diversas interfaces, atuante em países da África e da América Latina, disse: “me sinto orgulhoso de sermos uma empresa brasileira voltada para os países de terceiro mundo e de trabalharmos com softwares patenteados”.

Alberto ainda fez uma previsão de que até 2014 a transmissão em TV Digital com o sistema japonês adotado no Brasil será quase 100% nos domicílios que tiverem o receptor (R$150,00). Ele explicou ainda que o Móbile é diferente porque é exclusivo e palavra de ordem é mobilidade e comodidade, até mesmo os comerciais são direcionados para cada indivíduo.

Idade Mídia: Geração Polegares

Na visão de Aberto Magno, “estamos falando de uma geração de dois polegares e não mais da pinça que gerou nossa evolução. Esse público manda SMS usando os dois lados do cérebro”. O físico explicou que na venda do serviço TV Móvel é usado o conceito de assinatura, como o da Sky ou da NET, para proporcionar que os indivíduos fiquem conectados à sua base de dados o tempo que ele desejar tendo seu acesso disponível o máximo de tempo. “As operadoras não cobram dados, elas cobram acesso, porém penso que esse serviço deve ser gratuito e quem deve pagar é o anunciante e quando monitoramos as pessoas para saber seus maiores interesses de consumo isso é mais relevante na hora de anunciar porque transforma em algo mais direcionado”, conclui.


De acordo com Luiz Renato Olivaldes, diretor de interatividade da Band, o usuário da internet quer ser participativo e ele não assiste mais TV da mesma maneira. “A mobilidade e a portabilidade aumenta o tempo disponível do indivíduo em cerca de 4 horas a mais no seu dia, então buscamos engajar o cliente conectando mídias”.

Para Adriana Alcântara, gerente de conteúdo da TV OI, presente hoje somente em Belo Horizonte-MG, a idéia da mobilidade e da interface WEB de conteúdo é conquistar o um único cliente que consuma os diversos serviços prestados pela empresa. “Pensamos sempre em como e onde o cliente vai acessar o conteúdo e a variedade que proporcionamos para que ele o transmita com interatividade porque hoje temos a necessidade de estarmos plugados o tempo todo e cada vez mais a informação é passada de maneira não tradicional”, disse.

Uma não anula a outra

Um dos pontos fortemente marcados no debate é que a TV Digital não vem para acabar ou competir com a TV tradicional, pelo contrário, vem para complementar. Adriana explicou que “o horário nobre da TV digital é manhã e tarde porque são nessas horas que as pessoas estão nas filas de banco, no trânsito ou fora de casa por algum motivo. Já na TV tradicional o horário nobre é o noturno, então não há concorrência, é somente uma outra nova maneira de também ter acesso ao seu programa favorito ou atrativos extras e não perder nada pelo fato de estar fora de casa”. Luiz Noronha, produtor do Grupo Conspiração acrescentou que é necessário pensar em estruturas dramáticas específicas para o conteúdo de WEB e TV Móvel. “Se a era é a da multiplataforma, não há como adaptar o que já existe, temos que criar algo novo para ser transmitidos nos novos formatos” afirmou.